Custos em Alta, Receitas em Queda
O setor aéreo global, apesar de projetar um crescimento de 2,1% no tráfego de passageiros em 2026, enfrenta um cenário financeiro desafiador. As despesas totais devem superar o avanço das receitas, com um aumento previsto de 13% contra 9,4%, respectivamente. Essa disparidade comprime as margens de lucro e pressiona as companhias aéreas, tornando o aumento das tarifas uma medida “inevitável”, segundo Roberto Alvo, CEO da Latam e diretor da Iata.
A Crise dos Motores e a Cadeia de Suprimentos Atrasada
A elevação do custo do combustível agrava um problema já existente: a crise na cadeia de suprimentos aeroespacial, cujos atrasos se arrastam desde a pandemia. Com uma carteira de pedidos de aeronaves superior a 18.100 unidades e a idade média da frota global atingindo um recorde de 15,2 anos, a escassez de motores e peças se tornou um gargalo crítico. Fabricantes como CFM, Pratt & Whitney e Rolls-Royce acumulam atrasos, resultando em aeronaves novas paralisadas à espera de componentes. A Iata estima que falhas na cadeia de suprimentos custaram ao setor ao menos US$ 11 bilhões em 2025, um impacto que tende a ser amplificado pelo aumento de 70% no preço do querosene em 2026.
Conflitos e Disputa por Recursos
O conflito no Oriente Médio adiciona uma camada extra de complexidade. O aumento global nos gastos militares, que atingiram US$ 2,9 trilhões em 2025, intensifica a disputa por mão de obra especializada, materiais e componentes entre a indústria aeroespacial e a produção bélica, exercendo pressão inflacionária sobre toda a cadeia da aviação comercial. Companhias aéreas do Oriente Médio são as mais afetadas, com projeções de retração de 11,4% no tráfego regional e perdas estimadas em US$ 4,3 bilhões.
Recuperação e Perspectivas Futuras
Apesar dos desafios atuais, a Iata não prevê uma mudança estrutural no mapa da aviação global. Luis Gallego, CEO da IAG, ressalta que a capacidade das companhias aéreas do Golfo é relativamente pequena na escala global, e a recuperação tende a ser rápida após a estabilização da região. A crise atual, embora severa, é contrastada com o cenário da pandemia, quando o tráfego global chegou a cair 95%. Atualmente, o crescimento projetado de 2,1% indica uma recuperação, ainda que em ritmo mais lento e com novos obstáculos a serem superados.
Fonte: investnews.com.br
