Festival em Brasília Celebra Tecnologias Sociais que Transformam Vidas e Geram Justiça Social

O Poder da Inovação Popular no Coração do Brasil

Brasília foi palco do festival Soluções Sociais para o Brasil, promovido pela Fundação Banco do Brasil, um evento que reuniu dezenas de experiências inovadoras de todo o país. O objetivo foi dar visibilidade e valorizar as chamadas tecnologias sociais: soluções, produtos ou metodologias desenvolvidas coletivamente para resolver problemas sociais em territórios específicos. Essas engenhocas, nascidas da necessidade e da criatividade popular, demonstram como o conhecimento popular, aliado à ciência, é um motor potente para o desenvolvimento com justiça social.

Tecnologias Sociais: Resiliência e Autonomia em Ação

Mariana Oliveira, gerente da Fundação Banco do Brasil, explica que o conceito de tecnologia social, embora técnico, está profundamente ligado à base da sociedade. “A tecnologia social é uma solução, um produto ou uma metodologia que tenha sido construída de forma coletiva com a comunidade e com a comunidade científica”, afirma. Ela ressalta que o objetivo central dessas ferramentas é “resolver ou minimizar um problema social de determinado território”. Douglas Belchior, do Instituto Peregum, sintetizou a essência dessas iniciativas como a “expressão máxima da resiliência das classes populares”, chegando a chamá-las de “pobre se virando para sobreviver”.

Rendar Saberes: Tecendo Autonomia e Tradição em São Paulo

Um dos projetos premiados no festival foi o Rendar Saberes, de Carapicuíba (SP). Liderado por Ilma e Luciene da Silva, a iniciativa resgatou a tradicional técnica nordestina da renda renascença, promovendo a alfabetização e a autonomia financeira de mulheres da comunidade. O projeto não só gera renda, mas também fortalece vínculos coletivos e melhora a saúde mental e a autoestima das participantes. “Estamos transformando Carapicuíba. Esse lugar vem se tornando um polo da renda renascença em São Paulo”, celebra Luciene, destacando a interligação entre o tradicional e o contemporâneo.

Soberania Alimentar e Soluções para o Campo

A segurança alimentar e nutricional foi outro tema central do festival. João Paulo Rodrigues, do MST, destacou a importância das tecnologias sociais para um modelo agrícola sustentável. Ele ressaltou que o campesinato possui um histórico rico em preservação de sementes e biodiversidade, e que a tecnologia atual, incluindo a inteligência artificial e a agroecologia, pode potencializar essas práticas. “O campesinato tem experiências históricas de produzir formas significativas de preservação da semente, de preservação da biodiversidade”, afirmou.

Do Local ao Público: A Força da Replicabilidade

O festival também contou com uma exposição de tecnologias sociais, como o Litro de Luz e sistemas de produção agroecológica. Exemplos como as cisternas calçadão, que surgiram da necessidade nas regiões semiáridas, tornaram-se políticas públicas, garantindo o acesso à água. Samuel Falcão, da Fundação Banco do Brasil, defende que o poder público deve transformar essas inovações em soluções coletivas. Ele enfatiza que o percurso sempre começa na comunidade, com pessoas que “lutam diariamente para poder solucionar esses problemas”. A Plataforma Transforma, um banco de dados público, permite que essas metodologias sejam acessadas e replicadas em todo o país, impulsionando um ciclo virtuoso de inovação e desenvolvimento social.

Fonte: www.brasildefato.com.br

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