Nicarágua se aproxima da Coreia do Norte: Ortega inicia plano para extinguir eleições e oposição denuncia ‘ditadura familiar’

Congresso da Nicarágua Inicia Processo para Acabar com Eleições

O Congresso da Nicarágua deu início a um plano de trabalho com o objetivo de encerrar o processo eleitoral no país. A medida surge poucos dias após o presidente Daniel Ortega afirmar publicamente que ‘não haverá mais eleições’. As autoridades eleitorais foram instruídas a definir os ‘elementos para não deixar sequer uma brecha’ nas eleições, visando impedir o que chamam de ‘terrível manipulação dos impérios e de seus lacaios’, em referência aos partidos de oposição.

Repressão e Deterioração Democrática

Nos últimos anos, a Nicarágua tem sido palco de mobilizações populares significativas que exigem reformas democráticas. No entanto, essas manifestações foram violentamente reprimidas pelo aparato militar do governo. Estimativas de organizações internacionais indicam que pelo menos 325 pessoas morreram durante esses protestos. A situação política e a participação cidadã se deterioraram acentuadamente após as revoltas de 2018, que demandavam a saída de Ortega do poder.

Fim da Democracia e Comparação com Ditaduras

Para a oposição nicaraguense e analistas políticos, o anúncio de Ortega representa a confirmação do fim da democracia no país. Opositores denunciam a intenção de estabelecer um ‘sistema de partido único’, onde a escolha de líderes seria controlada internamente, seguindo modelos de países como China, Cuba e Coreia do Norte. O opositor Cristiana Chamorro, que pertence a uma tradicional família política e já foi candidato presidencial e preso, descreveu a situação como uma ‘ditadura familiar plena’.

Reações Internacionais e Alerta de Instabilidade

A decisão de Ortega gerou fortes reações internacionais. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, alertou que o governo americano e a comunidade internacional não permanecerão inertes diante da intensificação da repressão e da instabilidade gerada pelo regime. O alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou preocupação com o aprofundamento das restrições às liberdades fundamentais, o desmantelamento do espaço cívico e a erosão do Estado de Direito na Nicarágua. Türk apelou às autoridades para que reabram o espaço cívico e restabeleçam o Estado de Direito, garantindo o direito de todos os cidadãos de votar e serem votados.

Fonte: g1.globo.com

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