A Montanha Russa Financeira da Simpar
A Simpar, conglomerado fundado pela família Simões, enfrenta um desafio monumental: lidar com uma dívida consolidada de R$ 40,7 bilhões, resultado de uma expansão acelerada e aquisições ousadas nos últimos anos. Pressionada por juros elevados, a holding, que controla empresas como a Movida, JSL e Vamos, implementou uma estratégia de reestruturação que envolve a venda de ativos, alongamento de prazos de pagamento e a entrada do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como sócio em um aporte bilionário.
O Reforço do BNDES e a Venda Estratégica
Em março, a Simpar anunciou um aumento de capital de R$ 2,9 bilhões, com participação significativa do BNDESPar, braço de investimentos do BNDES. Essa operação, que também contou com aportes da família Simões e investidores minoritários, marca o retorno do banco estatal a investimentos em renda variável. Paralelamente, a holding vendeu a Ciclus Rio, sua empresa de tratamento de resíduos no Rio de Janeiro, por R$ 1,8 bilhão, como parte de uma estratégia de monetização de ativos não listados. Essas ações visam fortalecer o caixa e reduzir o peso do endividamento.
Sinais de Alívio e Desafios Persistentes
Apesar da dívida ainda elevada, a Simpar demonstra sinais de melhora. A alavancagem, que mede a relação entre a dívida e o lucro operacional, caiu para 2,8 vezes, o menor índice em quinze anos. Essa redução é atribuída à reorganização financeira e à melhoria na geração de caixa operacional. No primeiro trimestre, o faturamento do grupo cresceu 6%, enquanto novos investimentos recuaram 68%, elevando o retorno sobre o capital investido para 17,7%, recorde histórico. No entanto, o resultado financeiro ainda é impactado pelos altos juros, com o custo médio da dívida do grupo atingindo 19,4% ao ano, consumindo parte significativa da receita.
A Trajetória de Crescimento e a Visão de Mercado
Fundada em 1956 como uma transportadora, a Simpar evoluiu para uma holding diversificada, impulsionada pela visão estratégica de Fernando Simões. A transformação em holding de capital aberto em 2020 abriu caminho para mais de 20 aquisições entre 2020 e 2023, expandindo a atuação para locação de veículos, logística, saneamento, serviços financeiros e infraestrutura. Embora a família Simões rejeite a ideia de um “resgate” pelo BNDES, argumentando ter capacidade de autofinanciamento, a entrada do banco público é vista por analistas como um selo de reconhecimento e um passo importante na desalavancagem. Contudo, o mercado ainda demonstra cautela, com debêntures da Simpar sendo negociadas com desconto, refletindo a cobrança de um prêmio maior pelo risco da companhia.
Fonte: investnews.com.br
